Voluntariado… Porquê?

Voluntariado… Porquê?



A Aleksandra é da Polônia e está a fazer um experiencia de voluntariado de longa duração em Lisboa. Na altura em que fizemos esta entrevista estávamos sentadas em casa por causa do Corona Virus. Esta foi uma ótima oportunidade para refletirmos sobre a nossa vida, o que fizemos e o que alcançamos no passado e quais os planos para o futuro.

O que te inspirou a tornares-te uma voluntária CES? 

A maior inspiração foram os meus amigos que tinham feito anteriormente voluntariado SVE. Sempre que falava com eles diziam que é uma grande oportunidade e uma experiência que nos muda a vida. 

Porque é que te querias tornar voluntária? 

Durante o ano passado decidi demitir-me do meu trabalho onde trabalhava há 4 anos e queria fazer algo diferente para mudar a minha vida. Conheci uma amiga, uma dessas que tinha sido voluntária, e ela sugeriu-me participar também num projeto de voluntariado. Nos últimos anos estive ligada a diferentes ONGs, portanto trabalhar para uma ONG é bastante natural para mim. Além disso, sempre quis viver no estrangeiro por algum tempo. Pouco depois vi o anúncio para a inscrição de voluntários do projeto onde estou agora, e então simplesmente candidatei-me. 

O que fazes na associação? 

Eu trabalho no escritório com a equipa de comunicação. Estou a criar designs gráficos e publicações para as redes sociais. A associação organiza eventos multiculturais, que eu estou a coorganizar. Também visito escolas e faço workshops para jovens sobre mobilidades e voluntariado. 

O que mais gostas no teu trabalho? 

A minha parte favorita é conectar com outras pessoas, por isso gosto imenso de ir às escolas e ver como os jovens participam nos workshops. Também gosto de aprender a forma como os empregados da associação usam as ferramentas de educação não-formal, algo que é novo para mim. E claro que adoro estar num ambiente multicultural como estou agora. Por fim, tenho sorte de trabalhar numa fantástica equipa nas organizações, tal como os outros voluntários. 

Tinhas algum medo antes de te mudares para outro país? 

Eu já tinha viajado bastante sozinha, e apesar de saber que não é a mesma coisa, não tinha qualquer medo de sair do meu país. A minha primeira viagem a solo foi a Portugal, e este projeto de voluntariado foi uma boa oportunidade de regressar. Já conhecia a cidade e o país para o qual me iria mudar, o que tornou as coisas decididamente mais fáceis. Além disso, passei algum tempo a ler sobre a vida em Portugal, portanto não houveram muitas coisas surpreendentes. 

O que sentes mais falta da Polônia? 

Eu tenho saudades da minha família e dos meus amigos, claro, mas temos utilizado bastantes ferramentas digitais para nos manter em contacto, e temos chamadas de vídeo, telefone ou trocamos mensagens uns com os outros. E eu sei que a qualquer altura nos vamos ver, seja em Portugal, ou talvez volte para a Polónia uns quantos dias. Por outro lado, quanto mais tempo aqui fico mais sinto falta de alguma comida em particular. Posso cozinhar refeições aqui, mas há muitas que não consigo, ou que é difícil de arranjar aqui os ingredientes corretos. 

De que comida sentes mais falta? 

Acho que sinto mais falta do sabor de pepinos salgados e em pickle. Também alguns tipos de queijo. Depois há outras refeições que eu prefiro se for alguém a cozinhar para mim, como pierogi (uma espécie de massa recheada) – os melhores são os caseiros. 

Tens alguns hobbies? 

Bem, agora com a necessidade do distanciamento social, tenho alguns hobbies que não fazem parte da minha “vida normal”. Mas estou a aprender português, porque finalmente quero ter conversas verdadeiras com pessoas, não só fazer pedidos num restaurante. Antes da quarentena estava a tentar explorar Lisboa mais frequentemente e aproveitar as oportunidades que a cidade possibilita. Estou também a planear ir a aulas de dança. Ainda estou no início do meu voluntariado, portanto ainda acredito que, apesar da situação atual, muito mais tempo e oportunidades virão. 

Que planos tens para o tempo restante? 

Estou ansiosa pela minha formação de receção pois ouvi muitas boas histórias acerca dessas formações, como por exemplo conhecer outros voluntários. Quero também desenvolver o meu projeto pessoal. Para além disso, quero continuar a explorar as organizações portuguesas que estejam relacionadas com participação, tecnologia para o bem, espaço urbano ou economia circular. Por fim, quero viajar por Portugal – o meu maior sonho é ir à Madeira e aos Açores. Quero utilizar este tempo para trabalhar nas minhas qualidades, ganhar novas capacidades e, talvez, encontrar uma futura oportunidade de trabalho aqui em Portugal. 

Entrevista feita pela voluntária Dóra Biricz enquadrada no projeto #Cidadania.